Sábado, 25 de Março de 2017

Celebration

 

 

This afternoon was sound and movement.

a time of bangs, clarions and hisses,

onomatopoeias of want and regret,

sounds of lovers who need, but do not touch.

 

It rained,

Pitter, patter, pitter patter,

we talked,

Woof, woof! Woof woof!

the words of others surrounded us,

thsshshshsshsshshssh,

and,

when we spoke,

our hearts were full of sound.

 

Rrooommm, buzz, clang, clink, pfshhh…

 

Words were thrown at me,

and I heard them as applause

Clap, clap, clap

reassurement

Purr, purr, purr,

or confrontation

Pow, pow, pow!

 

All lost in the din of the kitchen, the people and the cars outside the restaurant.

 

But still it was clear what I heard,

“I love you”

“Thank you for being here”

These are much better times”

“I’m happy that you’re with me”.

 

All the sounds that passed between me and my father.

Not because we don’t talk,

As we talk so much

Not because we don’t express emotions,

They come like voluble torrents of lava, violent and hearing only their sound.

Not because we don’t understand each other,

so, so much

 

But because,

some days are noisier than others,

full of streets, wants and longing,

 

and the loudest is the coming together with another.

 

All the bedlam drowns you

As you try for  love to pierce through.

 

And when you go away,

finally,

you understand the biggest noise was your heart.

 

Boom - boom - boom.

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publicado por Aurea Mediocritas às 01:29
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Sábado, 11 de Março de 2017

Poem

 

I

 

Todos os homens têm uma geografia e,

se fores um homem de interesse,

o teu espaço é do interesse dos outros.

 

Preocupam-se com “a tua cidade”,

as “tuas ruas”,

os teus “roteiros”,

os teus “caminhos”,

 

Estes homens,

os de interesse,

protagonistas da História,

conhecidos pelas crianças,

e lidos pela multidão.

 

São objeto de estudo geográfico,

como se fossem uma campanha militar,

cada passo uma direção,

todos os gestos prenhes de volição

indo, sempre, com intenção,

e em todo o agir, querer...

o que faz das suas vidas um livro fácil,aberto, e por todos entendido.

 

E é esta a ideia por trás da ideia da história, literatura, religião e tudo o que nos junta,

tudo tem de ser lido por todos.

 

Mas,

            digo eu,

todos os homens têm uma  geografia.

Apesar de não terem nada que os distinga,

apesar de serem o silêncio na história,

os seus roteiros existem,

Têm passeios só deles,

imagens de lugares colados a pessoas,

emoções vertidas em locais,

e caminhos que são só seus.

 

E, que sabemos nós

para dizer que a sua viagem é pior que outra?

 

O que sabemos nós quando,

            agarrando nas suas vidas,

achatamos as sombras,

alisamos as contradições,

explicamos os silêncios,

apagamos as explosões?

 

Fazemos das suas vidas, narrativas,

explicamos tudo e sabemos nada.

 

Hoje eu afirmo aqui,

            Quem senão eu?

            Que outra altura mas agora?

            Que outro sítio senão este?

Que todos os caminhos dos homens são caminhos dignos de leitura.

Que não há geografias mais importantes que as outras,

e que,

muito embora,

não haja hierarquia onde não há conhecimento,

haverá sempre,

histórias mais interessantes que outras.

 

E sugiro aqui pela primeira vez,

a hipotética existência,

            nunca vista por que nunca estudada,

do roteiro do homem que,

            se ausente de história,

exulta em geografia.

 

Rotinas feitas de metros, comboios e elétricos,

estas coisas de agir,

cruzam linhas na pele da cidade,

mandalas feitas de caminhos para o emprego e o ginásio,

sigilas nascidas de idas à casa de banho no bar,

e cosmogonias explicadas por férias na Caparica.

 

II

 

Ontem sonhei com uma rapariga que amei aos 11 anos.

E no sonho via-a agora,

mas velha, mais magra … um bocado gasta,

mas ainda linda.

Parecia nervosa...

            tensos e  imensos olhos castanhos;

                        atentos,

                                   bailarinos,

e mãos que fechavam e abriam.

 

E eu,

e eu amava-a com a violência com que se ama algo fechado,

e com a certeza  de quem já não tem tempo para amar muito mais.

Queria, e querer era novo e velho.

 

Encontrei-a numa terra de província

            no sonho

e,

depois de ela desaparecer dizendo-me muito pouco,

soube que aquela era a terra onde teria que viver.

 

Depois sonhei sobre os amigos dela, a terra e de como ficar.

Mas não é isso que lembro.

 

Nada disso é suficiente para vos contar este sonho,

            haverá coisa mais aborrecida que ouvir contar um sonho?

            surely not

O que o tornou especial;

foi isto:

 

No sonho perguntam-me se queria, de facto, ficar na terra, que era

            afinal

                        tão pequena.

E eu, ao responder, sinto-me encher como uma maré,

cavalgando a praia, as casas, os carros…

 

e por isso disse:

 

“Sim,

é o amor da minha vida.”

 

 

III

 

Há um conceito chamado “path dependence”, que diz que as tuas decisões atuais são limitadas pelas anteriores.

Que tudo o que acontece resulta de o que fizeste, por muito longínquo que seja.

E que este passado é a melhor forma de explicar o presente.

 

Neste mundo não há grandes planos,

visões estratégicas,

grandes linhas.

Não.

Neste modo de ver, tudo o que é, é, por causa de pequenos passos atrás.

Sem outra verdade que o caminho,

            os passos dados,

                        e mais coisa nenhuma.

 

Nesta visão o roteiro é tudo,

é a causa e a explicação,

a necessidade e a resposta.

 

E talvez seja por isto que todas as geografias são importantes.

Porque não há um valor maior,

uma explicação total,

uma razão holística

para o caminho de cada um de nós.

 

E assim ficam

            sem razão ou explicação

as nossas linhas de tempo,

completas e frágeis,

só elas capazes de teleologia,

só elas capazes de estética.

Só nelas a possibilidade de redenção.

 

E é por isto,

e devido a isto,

 

Que um homem

            aos 43 anos,

pode sonhar o início da sua vida

em pessoas que já não existem,

e levantar-se uma manhã,

com o coração cheio de canções.

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publicado por Aurea Mediocritas às 10:07
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